EXON Imóveis
EXON Imóveis
A Selic caiu para 13,75% ao ano, dando continuidade ao ciclo de redução dos juros no Brasil.
Para quem pretende comprar um imóvel, a notícia é positiva. Mas existe uma diferença importante entre os juros começarem a cair e o crédito imobiliário ficar significativamente mais barato.
E é justamente aí que o comprador precisa ter cuidado.
Quem está adiando a compra de um imóvel esperando uma grande redução dos juros nos próximos três ou seis meses pode estar baseando sua decisão em um cenário que, hoje, parece pouco provável.
A questão não é simplesmente: “a Selic vai cair?”
Provavelmente continuará existindo espaço para redução se inflação, expectativas e atividade econômica permitirem.
A pergunta mais importante para o comprador é outra:
Quanto ela pode cair e em quanto tempo?
Na reunião de setembro, o Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano. O movimento faz parte do processo de flexibilização iniciado anteriormente, mas o próprio Banco Central continua classificando a política monetária como restritiva.
A razão está principalmente no cenário inflacionário.
Segundo o Banco Central, as expectativas de inflação permanecem acima da meta e o ambiente econômico ainda exige cautela. Na ata da reunião de setembro, o Copom destacou a existência de incertezas elevadas e riscos para a trajetória dos preços.
Fonte: Banco Central do Brasil, Ata do Copom, setembro de 2026.
Isso ajuda a explicar por que a queda dos juros está sendo mais lenta do que se imaginava meses atrás.
E aqui aparece um ponto muito importante para quem está esperando para comprar um imóvel.
No Relatório de Política Monetária de março, a trajetória considerada a partir das expectativas do mercado indicava Selic chegando a 12,25% no final de 2026.
Meses depois, essa expectativa mudou significativamente.
No relatório de junho, o próprio Banco Central registrou que a trajetória esperada havia passado para uma redução bem mais gradual, chegando a 13,75% no final de 2026 naquela projeção.
Ou seja: o mercado precisou recalibrar suas expectativas.
Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, junho de 2026.
Imagine um comprador que encontrou hoje um imóvel adequado à sua necessidade, dentro do orçamento e em uma localização que considera boa.
Ele decide não comprar.
Seu raciocínio é simples:
“Vou esperar seis meses porque os juros vão cair bastante.”
Essa estratégia só funciona se algumas coisas acontecerem simultaneamente.
A Selic precisa cair significativamente, os bancos precisam repassar essa redução ao crédito imobiliário, o imóvel desejado precisa continuar disponível ou surgir outro equivalente e seu preço não pode subir a ponto de neutralizar parte da economia obtida com uma taxa de financiamento menor.
São muitas variáveis.
Por isso, esperar também é uma decisão financeira e tem riscos.
Esse talvez seja um dos pontos mais mal compreendidos pelo comprador.
A Selic influencia o custo do dinheiro na economia, mas a taxa do financiamento imobiliário não acompanha automaticamente cada decisão do Copom na mesma proporção e no mesmo momento.
Os bancos consideram outras variáveis: custo de captação, risco de crédito, prazo do financiamento, condições da poupança, concorrência bancária e expectativas para os juros futuros.
Portanto, uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic não significa que, no dia seguinte, o financiamento imobiliário ficará 0,25 ponto mais barato.
A transmissão acontece de maneira mais complexa.
É por isso que olhar exclusivamente para a próxima reunião do Copom pode levar o comprador a uma conclusão errada.
Existe outro lado dessa equação: o preço do imóvel.
Em Curitiba, por exemplo, o Índice FipeZAP apontava preço médio anunciado de aproximadamente R$ 11,7 mil por metro quadrado em abril de 2026, com valorização de 5,31% nos 12 meses anteriores.
E as diferenças entre bairros são relevantes.
Naquele levantamento, o metro quadrado anunciado estava próximo de R$ 17,9 mil no Batel, R$ 14,3 mil no Bigorrilho, R$ 13,8 mil no Juvevê e R$ 12,3 mil no Água Verde.
Isso não significa que todos os imóveis vão continuar valorizando nesse ritmo. Muito menos que o comprador precise comprar rapidamente por medo de perder uma oportunidade.
Significa apenas que juros não são a única variável da decisão.
Esperar seis meses por uma eventual redução no financiamento enquanto o imóvel desejado valoriza, é vendido ou perde margem de negociação pode não produzir a economia esperada.
Quando o crédito efetivamente fica mais barato, mais compradores conseguem financiar.
E quando mais pessoas voltam ao mercado, a demanda pode aumentar.
Isso cria um paradoxo interessante.
O momento em que o financiamento estiver claramente mais barato pode também ser um momento de maior concorrência pelos bons imóveis.
Hoje, com juros ainda elevados, compradores com crédito aprovado, boa entrada e capacidade de negociação podem encontrar proprietários mais dispostos a discutir preço e condições.
Em um ambiente de juros menores e demanda maior, parte dessa vantagem pode diminuir.
Não existe garantia de que isso acontecerá em todos os segmentos ou bairros. Mercado imobiliário é extremamente localizado.
Mas é um fator que precisa entrar na conta.
Não necessariamente.
A conclusão correta não é “compre agora”.
É:
não tome a decisão de esperar apenas porque acredita que os juros estarão muito menores daqui a três ou seis meses.
Se o imóvel não cabe no orçamento, se a parcela compromete excessivamente a renda, se a entrada é insuficiente ou se a compra depende de uma redução relevante da taxa para se tornar financeiramente saudável, esperar pode fazer sentido.
Mas existe uma situação completamente diferente:
o comprador já possui capacidade financeira, encontrou um bom imóvel, pretende permanecer nele por vários anos e está esperando exclusivamente por uma grande queda dos juros.
Nesse caso, vale revisar a estratégia.
Antes de decidir entre comprar agora ou esperar, coloque na mesa:
Preço negociado do imóvel hoje;
Valor disponível para entrada;
Custo efetivo do financiamento disponível agora;
Quanto o preço do imóvel e as condições de negociação podem mudar enquanto você espera.
A comparação correta não é simplesmente:
Selic hoje x Selic daqui a seis meses.
É:
custo total da compra hoje x possível custo total da compra no futuro.
São análises muito diferentes.
Essa é outra questão importante.
Comprar um imóvel financiado hoje não significa necessariamente permanecer durante 20 ou 30 anos exatamente nas mesmas condições.
Dependendo das condições contratuais e das alternativas disponíveis no futuro, o comprador pode avaliar possibilidades como portabilidade do financiamento, renegociação ou amortizações antecipadas.
Portanto, existe uma diferença entre comprar um imóvel com juros elevados e acreditar que você ficará inevitavelmente preso às condições atuais até a última parcela.
Cada contrato precisa ser analisado individualmente, mas essa possibilidade deve fazer parte da estratégia.
A queda da Selic para 13,75% é positiva para o mercado imobiliário.
Ela sinaliza uma direção.
Mas direção não é velocidade.
As expectativas para os juros mudaram significativamente ao longo de 2026, e o Banco Central continua deixando claro que o cenário exige cautela. A inflação permanece acima da meta e a política monetária continua restritiva.
Por isso, apostar que haverá uma grande transformação no custo do financiamento imobiliário em apenas três ou seis meses é assumir um risco.
Para quem pretende comprar um imóvel, talvez a pergunta mais inteligente neste momento não seja:
“Quanto a Selic vai cair?”
Mas sim:
“Se eu encontrar hoje o imóvel certo, pelo preço certo e com uma parcela que cabe de forma saudável no meu orçamento, quanto realmente ganho esperando?”
Essa conta precisa ser feita imóvel por imóvel.
Porque juros mudam.
Condições de financiamento também.
Mas um bom imóvel, na localização desejada e pelo preço correto, pode não estar mais disponível quando o cenário perfeito finalmente chegar.









